Sábado, 1 de Maio de 2010

Dois poemas de Eugénio de Andrade

Fonte entre a Portagem e Marvão, muito perto da fronteira espanhola

O poeta português Eugénio de Andrade já esteve aqui em duas ocasiões com Frutos e com Valverde del Fresno; este último que nos levava  à povoação da província de Cáceres em que nasceu a avó materna do poeta. Será que Canção infantil foi escrita a pensar em Valverde? Não sabemos, mas tanto faz. Podem ver em baixo uma fotografia da aldeia com as montanhas de Gata por trás.

Hoje temos mais dois poemas de Eugénio de Andrade, muito breves. Uma delícia as suas palavras para este dia de sol em que Maio começa...



A UMA FONTE

Fonte pura, fonte fria...
(Onde vais, minha canção?)
Fonte pura..., assim queria
que fosse meu coração:
fluir na noite e no dia
sem se desprender do chão.


CANÇÃO INFANTIL

Era um amieiro.
Depois uma azenha.
E junto
um ribeiro.

Tudo tão parado.
Que devia fazer?
Meti tudo no bolso
para os não  perder.



Nota. O amieiro é uma árvore que nós chamamos aliso em espanhol. A azenha é um moinho de roda movido por água (em espanhol, aceña) e o ribeiro é um arroyo.



Valverde del Fresno, na Sierra de Gata


2 comentarios:

Joao-Manuel disse...

Olá Pedro, encontrei num blogue seu um texto meu, antigo, publicado na Revista "K" e chamado "O Livro Único". Achei graça (claro!) até porque já nem me lembrava dele, mas encontrei um erro (é "Lusitos" e não "Luisitos" - "lusito" era um filiado da Mocidade Portuguesa com 10 anos ou menos). Tenho o Livro Único da Primeira Classe por onde estudei em 1958 (que é muito diferente do que ilustrou) e, se quiser, enviar-lhe-ei uma imagem da capa se me indicar um e-mail. Pode encontrar o meu contacto no site www.tabacaria.com.pt onde tem também diversas páginas de poesia, etc, dedicadas a estudantes de português.
Cumprimentos amigos
João Manuel Mimoso

Pedro Cuadrado disse...

Olá, João Manuel, muito obrigado pela emenda do erro. Sempre gostei desse texto.

Respondo-lhe ao seu correio.

Cumprimentos amigos,

Pedro Cuadrado